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Espalhador de passarinhos & Outras crônicas, O
Espalhador de passarinhos & Outras crônicas, O |
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Preço:
R$ 40,00
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Autor Humberto Werneck ( Sobre o autor ) Reunidas pela primeira vez, as 65 crônicas de O espalhador de passarinhos permitem acompanhar a gestação de uma obra vigorosa, que só veio a ganhar a forma de livro tardiamente. Entre 1990 e 2009, período coberto por esta antologia, Humberto Werneck pouco a pouco se confirmou como um dos nossos grandes narradores em atividade. O que faz, então, com que textos escritos no calor da hora, para publicação no dia seguinte, tenham ficado por décadas na memória do leitor e na história da cultura brasileira? A resposta está, por exemplo, na crônica que dá título ao volume, “O espalhador de passarinhos”. Trata-se de um desses casos primorosos em que a sensibilidade do cronista lança o leitor onde quer – digamos, no meio do mato aonde Hugo, o pai de Humberto, ia em busca de passarinhos para fazer seu trabalho pioneiro e solitário de preservação da natureza nos anos 50. Ele não diz “curió”, mas “curiol”, observa o cronista-menino, todo ouvidos para o sotaque do pai, por sua vez todo ouvidos aos múltiplos sotaques das aves que vai espalhando pelo sertão de Minas. Até agora espalhadas (como os passarinhos do título?) ao longo de vinte anos em revistas e jornais, as crônicas de Werneck se encontram pela primeira vez no mesmo viveiro literário: esta edição, ilustrada pelo poeta, editor e artista gráfico Sebastião Nunes, da Dubolsinho, de Sabará (MG). A editora, conhecida por lançar autores de vanguarda como André Sant’Anna e o próprio Sebastião, é pioneira mais uma vez ao revelar – pelo menos em livro – o cronista de mão-cheia que é Humberto Werneck, que em alguns casos traz textos de quase vinte anos atrás, mas parece que foram escritos hoje de manhã. A crônica O Espalhador de Passarinhos é uma homenagem de Humberto a seu pai Hugo Werneck, por causa de seu interesse pelas aves, que, em seu esforço preservacionista, recorria à reprodução de pássaros em cativeiro para, depois, devolvê-los à natureza e evitar a extinção de espécies. Vinha também, há décadas, colhendo passarinhos onde fossem abundantes,para semeá-los onde estavam escasseando. Uma batalha para retardar a extinção de várias espécies. Terá sido do pai passarinheiro que o cronista urbano herdou esse ouvido tão apurado, ferramenta essencial em seu trabalho? Mas o ouvido do cronista não é só o do menino que cavouca na memória, às vezes uma só palavra, às vezes cenas completas, um aluvião inteiro perdido na infância. É preciso ouvido também para perceber o seu próprio tempo e observá-lo com humor e leveza, enxergar os personagens tão literários que nos cercam e volta e meia nem percebemos. Familiares, vizinhos, colegas de trabalho e amigos são os personagens de algumas das mais divertidas e emocionantes crônicas deste volume, como a “Gata Mansa”, a amiga que se deixou levar por um chamego na internet. Ou a filha de amigos queridos que acaba de nascer. A mania de falar e escrever difícil de Antonio Houaiss. Ou o dia em que o narrador acordou ouvindo o seu próprio anúncio fúnebre no rádio. Ou o borogodó ortográfico de Gisele Bündchen ameaçado pelo Novo Acordo. Ou a casa e as cartas brasileiras da poeta norte-americana Elizabeth Bishop. Tudo costurado com a agulha da ironia e a linha finíssima de um humor que se tornou a marca do estilo de Werneck, como se pode ver na pequena seleta de frases a seguir. O leitor de O espalhador de passarinhos tem em mãos 65 exemplos da língua literária brasileira em sua melhor forma, que devem ser lidos tal como foram escritos: com o compromisso único com as boas histórias. 160 páginas |
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